Novidade no açougue: Carrefour mira pequenos produtores

04/07/2018 | Exame

Investimento num projeto em MT é iniciativa dos grandes varejistas pra sofisticar venda da carne bovina, setor antes desprezado nos supermercados.

Faz tempo que carne deixou de ser commodity para as grandes redes de supermercado. Uma mistura de preocupação com sustentabilidade e com a qualidade dos produtos levou as companhias a investir no desenvolvimento de cortes cada vez melhores – e mais caros.

O varejista francês Carrefourdeve dar um novo passo nesse caminho no próximo dia 10, quando anuncia no Mato Grosso um investimento de cerca de 18 milhões de reais, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento da Holanda (IDH), em três anos para fomentar a criação de bezerros com pequenos produtores. É um projeto ambicioso, cujo lançamento contará com a presença do governador do estado, Pedro Taques, Laurent Vallée, secretário-geral do Grupo Carrefour na França e Noël Prioux, presidente do Grupo Carrefour no Brasil.

O acordo com o governo mato-grossense foi fechado em reunião com Taques e com representantes da Associação dos Criadores de Mato Grosso. Em outra iniciativa no estado, em 2016, o Carrefour lançou uma plataforma de sustentabilidade em que o consumidor pode saber o local da produção da carne.

Segundo o site Mato Grosso Agro, Paulo Painez, diretor de sustentabilidade do Carrefour, afirma que a ideia é dar subsídios para uma produção de carne sustentável e de qualidade. A iniciativa vai começar em duas regiões específicas (Vale do Juruena e Gaúcha Norte) e depois pode ser replicada em outros locais. Procurado por EXAME, o Carrefour confirmou o investimento, mas não concedeu entrevista.

O Walmart começou a vender em 2016 em lojas do Sudeste e Centro-Oeste a linha de carne sustentável Rebanho Xingu, produzida no interior do Pará em parceira com a ONG “The Nature Conservancy”. O plano da rede é expandir o monitoramento aos poucos para outras regiões. Segundo a varejista, desde 2015 todos os dados de fornecedores com frigoríficos na Amazônia estão incluídos numa base de dados que inclui 75.000 fazendas que fornecem para 30 plantas de empresas como JBS e Marfrig. O projeto usa satélites para monitorar a produção e evitar desmatamento ou uso de terras indígenas ou áreas de conservação.

O próprio Carrefour já havia anunciado, em 2016, um acordo com a ONG ambientalista Greenpeace para monitorar sua rede de fornecedores para bloquear a compra de fazendeiros instalados em áreas de desmatamento ilegal. O Grupo Pão de Açúcar também tem iniciativas de monitoramento da origem da carne e parcerias com produtores para melhorias na qualidade do produto.

Qualidade conta

A sustentabilidade ajuda a fisgar consumidores mais exigentes, claro, mas a qualidade da carne, no fim das contas, é o que conta. O crescente investimento das redes de supermercado é uma proteção em um mercado mais e mais segmentado. Brasil afora grandes e pequenos açougues focados em carnes premium passaram a tirar os clientes mais exigentes dos super e dos hipermercados. Com decoração descolada e cortes exclusivos, esses endereços cobram até 100 reais no quilo da picanha ou do bife ancho. Alguns, como os paulistanos Feed e Debetti, passaram até a vender pela internet.

“Durante muitos anos a gente foi induzido a achar que a carne vem do supermercado, mas a carne vem da fazenda. Agora os consumidores querem saber de onde vem, a origem da carne e a qualidade”, diz Rogério Betti, dono do açougue paulistano Debetti e um dos principais embaixadores da mudança do padrão de consumo da carne no Brasil. “Ficamos muito tempo comendo carne de pouca qualidade porque os supermercados compravam toneladas a preços baixos, o que levava a margens apertadas e insatisfação para todos na cadeia”. Debetti começou em agosto do ano passado uma parceria para operar açougues em duas unidades do Carrefour, em São Paulo.

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Governo libera Embraer para negociar com Boeing

04/07/2018 | Estadão

Segundo uma fonte que acompanha as tratativas, o governo não deve interferir no que considera uma « etapa puramente empresarial »

Brasília – O governo brasileiro decidiu liberar a Embraer para negociar com a Boeing a criação de uma nova companhia na área comercial. Segundo uma fonte que acompanha as tratativas, o governo não deve interferir no que considera uma “etapa puramente empresarial”. Segundo essa fonte, o governo só vai se posicionar quando for formalmente consultado.

De acordo com essa fonte, nos próximos dias deve sair um memorando de entendimento. O acordo entre as duas companhias foi anunciado no final do ano passado e pode resultar na criação de uma terceira empresa, na qual a Boeing teria 80% de participação e a Embraer, 20%.

Nesta quarta-feira, 4, as ações ordinárias (com direito a voto) da companhia estão em forte valorização na bolsa. Às 12h40, os papéis eram negociados a R$ 26,88, alta de 3,54%. Em comparação, o índice com as principais ações da B3, o Ibovespa, subia 0,24%, aos 73.844 pontos.

Comunicado

A Embraer confirmou, em comunicado enviado à CVM, que as duas empresas continuam mantendo entendimentos, “inclusive por meio do grupo de trabalho do qual o governo brasileiro participa, com vistas a avaliar possibilidades para potencial combinação de negócios, que poderá envolver a segregação das atividades de aviação comercial das demais atividades da Embraer (especialmente área de defesa e aviação executiva)”.

“Neste contexto, os entendimentos entre as partes continuam avançando e, quando e se definida a estrutura para combinação de negócios, sua eventual implementação estará sujeita à aprovação não somente do Governo Brasileiro, mas também dos órgãos reguladores nacionais e internacionais e dos órgãos societários das duas companhias. Reiteramos que a companhia manterá seus acionistas e o mercado informados na medida em que o assunto em questão evolua”, diz o comunicado da Embraer.

A empresa respondeu a um questionamento da B3, a bolsa de São Paulo, sobre reportagem publicada no Estado.

Michel Temer

Na terça-feira, 3, o presidente Michel Temer reuniu-se à tarde com os ministros Raul Jungmann (Segurança Pública); General Joaquim Silva e Luna (Defesa); Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional); e Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato (comandante da Aeronáutica).

Detentor de uma golden share (ação que dá direito a veto em importantes decisões) na Embraer desde a privatização, em 1994, o governo federal participou das negociações das duas empresas. Na terça, Temer recebeu um panorama de como andam as conversas.

Médio porte

O interesse da Boeing é reforçar, com a aquisição, sua atuação na aviação comercial de médio porte, segmento no qual a Embraer figura entre as três maiores fabricantes mundiais. O acordo, que envolve, por exemplo, a fabricação de aviões de 150 lugares, está em negociação desde o ano passado, quando a Airbus surpreendeu o mercado global ao anunciar a compra de 50,1% do programa de jatos comerciais da Bombardier.

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Produção agropecuária da América Latina deve crescer 17% na próxima década

03/07/18 | Exame

Segundo a FAO e a OCDE, mais da metade deste crescimento corresponderá a aumento na produção de cultivos, 39% à pecuária e 8% à expansão da piscicultura.

A produção agropecuáriae pesqueira da América Latina e do Caribe aumentará 17% na próxima década, com os cultivos de soja liderando a expansão, de acordo com um relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicado nesta terça-feira (3).

Mais da metade deste crescimento (53%) corresponderá a um aumento na produção de cultivos, 39% à pecuária e os 8% restantes à expansão da piscicultura, de acordo com o relatório “Perspectivas Agrícolas 2018-2027” realizado em conjunto pela FAO e pela OCDE e divulgado em Santiago.

Está previsto que a produção total de cultivos na região cresça 1,8% por ano até 2027. Cerca de 60% deste crescimento se deverá a melhorias no rendimento, que aumentará cerca de 11% na próxima década, liderado pelos cultivos de cereais e leguminosas.

O relatório ainda projeta que o uso agrícola da terra na região se expandirá em cerca de 11 milhões de hectares.

O cultivo de soja representará aproximadamente 62% da expansão da área cultivada na região. Neste sentido, se prevê que o Paraguai expanda significativamente sua área de cultivo de soja, enquanto o Brasil fará o chamado cultivo múltiplo, ou seja, soja e milho em um mesmo terreno.

Espera-se mesmo assim que cerca de 46% da produção de soja seja exportada – principalmente para a China – e que cerca de 54% da produção total seja processada na região.

A produção de carne crescerá 19% na próxima década, com exportações que aumentarão em quase 3 milhões de toneladas no mesmo período, o que representa um crescimento de 31% em relação aos anos de 2015 e 2017, uma expansão quatro vezes maior que nos últimos dez anos.

Três quartos deste crescimento virá do Brasil.

O setor de laticínios regional também crescerá em importância durante a próxima década, quando se espera que o consumo total aumente 18%.

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MDIC vê manutenção de expansão tanto de exportação como de importação

03/07/18 | Estadão

No primeiro semestre, exportações somaram US$ 113,834 bi, maior resultado desde 2013. Já as importações totalizaram US$ 83,779 bi, maior valor desde 2015.

Brasília – A recuperação da economia brasileira e o aumento das importações levaram o saldo comercial no primeiro semestre do ano a cair 17%. Ainda assim, o valor, de US$ 30,044 bilhões, foi o segundo maior da história, abaixo apenas do registrado no ano passado, quando foi de US$ 36,210 bilhões.

“Estamos mantendo o crescimento tanto das exportações como das importações com a retomada da economia”, afirmou o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge.

No fim de maio e início de junho, o comércio brasileiro com outros países foi reduzido por conta da greve dos caminhoneiros. “Com a recuperação da economia, o saldo em 2018 seria menor do que o de 2017 independentemente da greve dos caminhoneiros”, ponderou o ministro.

O ministro destacou o aumento na compra de bens de capital, de 53% no primeiro semestre, o que demonstra uma perspectiva de aumento na produção industrial.

Em junho, o País registrou o 11º mês consecutivo de crescimento nas importações desses produtos. Jorge ressaltou ainda o recorde no primeiro semestre nas exportações de minério de ferro, soja em grão e farelo e celulose.

No primeiro semestre, as exportações somaram US$ 113,834 bilhões, o maior resultado para o período desde 2013. Já as importações totalizaram US$ 83,779 bilhões, o maior valor desde 2015.

O secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto, ressaltou que a alta nas exportações no primeiro semestre (5,7%) foi puxada pela venda de produtos manufaturados, que subiu 9,1% no período, enquanto básicos aumentaram 4,6% e semimanufaturados, 0,5%.

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