Soja responde por 16% das exportações brasileiras no semestre

19/07/18 | Exame

Participação da China na pauta das exportações continua crescendo e o país asiático mantém-se como principal destino dos produtos brasileiros.

Dados do Indicador do Comércio Exterior (Icomex), relativo ao mês de junho, e divulgado hoje (19), pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre FGV) apontam que a soja em grão respondeu por 16% do total exportado pelo Brasil para o mundo nos primeiros seis meses do ano e, se somarmos o minério de ferro e o petróleo, o percentual chega a 33%.

A participação da China na pauta das exportações continua crescendo e o país asiático mantém-se como principal destino dos produtos brasileiros, já tendo ultrapassado a parcela dos 28 países da União Europeia. Segundo a publicação, as exportações brasileiras para a China cresceram 26% no primeiro semestre do ano.

Segundo o estudo da FGV, como a pauta de exportações do país tem se concentrado em poucas commodities, e a China vem ganhando participação como país destino dos produtos brasileiros, é forçosa a necessidade de “se discutir uma nova agenda da política de comércio exterior do país”.

Desvalorização cambial

Os economistas da FGV ressaltaram o fato de que os resultados do Icomex relativo a junho mostram que o efeito da desvalorização cambial ainda não se fez sentir nos fluxos comerciais, em especial nas importações.

Segundo o estudo, o índice da taxa de câmbio real efetivo calculado pelo Ibre mostra uma desvalorização de 11% de janeiro a junho, o que levaria a um efeito negativo nas importações. Ressaltam, porém, que “o efeito câmbio não é imediato, e outros fatores influenciam nos fluxos de comércio. No caso das importações, por exemplo, o nível da atividade doméstica é o principal fator de influência nos fluxos de comércio e até maio ainda se esperava crescimento do PIB na ordem de 2,5 a 2,8%”.

“A reversão dessas projeções [do PIB] para valores próximos a 1%, a partir do final do semestre, sugere que, além do efeito defasado do câmbio, as importações deverão ter uma maior desaceleração”, a partir deste segundo semestre do ano, diz o Ibre.

O documento ressalta ainda o fato de que, no caso das exportações, “o efeito câmbio foi positivo para o crescimento das não commodities, de 9,7% na comparação dos dois primeiros semestres, e 7,9% entre junho de 2017 e [junho] 2018”.

As commodities, que explicam cerca de 60% das exportações brasileiras, cresceram 2,9% no primeiro semestre deste ano, comparativamente ao primeiro semestre do ano passado, embora tenham recuado 1,7% na comparação mensal (maio-junho).

“Esse último resultado foi influenciado pela queda de 11% no volume global, puxado pelo agregado das carnes (-42%) e petróleo (-49%). Já o complexo da soja, por sua vez, registrou variação positiva de 11,6%, com o término da greve dos caminhoneiros”.

A evolução dos preços, segundo o estudo, levou a um aumento nos termos de troca em 2,4% de maio a junho de 2018, porém, em relação ao início do ano, os termos de troca fecharam em queda de 2%. A avaliação dos economistas da FGV é de que “após uma recuperação nos preços das exportações no segundo semestre do ano passado, os termos de troca tendem a declinar este ano. Ressalta-se no entanto, que ainda estamos com valores superiores ao do período de 2013/15”.

Fluxo de comércio

A variação mensal e semestral dos volumes exportados e importados por categoria de uso mostram que nas exportações todas as categorias registraram queda, a exceção de bens de capital. Nesse último grupo, estão incluídos produtos com tonelagem elevada como as plataformas de petróleo (em valor de mais de 6.000% na comparação semestral), aviões (aumento de 43% em junho), turbinas para aviões (3.300% em junho), entre outros.

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Importação de carros cresce 55% no primeiro semestre

19/07/2018 | Valor economico

Depois do fim das sobretaxas para carros importados, que vigoraram durante cinco anos por meio do programa Inovar-Auto, de proteção aos fabricantes instalados no país, o Brasil voltou a comprar mais veículos produzidos no exterior. O valor dos veículos desembarcados no país no primeiro semestre cresceu 55% na comparação com o mesmo período do ano passado e já passa de US$ 2 bilhões neste ano.

Dependendo do país de origem, o crescimento chega a 80 vezes em relação aos seis meses iniciais de 2017 – em função do baixo volume importado até então – e é registrado enquanto as fábricas nacionais ainda operam com ociosidade.

Os dados foram reunidos pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) a pedido do Valor. O crescimento é registrado tanto em dólares como em unidades – já que o volume importado pelo país de janeiro a junho subiu 41% frente a igual período do ano passado, chegando a 115.092 veículos.

O Inovar-Auto vigorou de 2013 a 2017 e aplicava uma alíquota adicional de 30 pontos percentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na importação de carros a partir de determinada cota. Essa cobrança era eliminada se a empresa tivesse fábrica no Brasil ou apresentasse um plano de investimentos em território nacional.

Durante todo o período em que o programa vigorou houve queda nos números de importação de carros, mas o regime automotivo acabou condenado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) por protecionismo. O primeiro semestre de 2018 marca a retomada do crescimento nas importações de carros depois de pelo menos seis anos, incluídos os cinco em que a política de sobretaxas a importados existiu. O crescimento da compra de veículos estrangeiros tem o triplo do ritmo da importação geral do país – que registra elevação de 17%, em valores, no primeiro semestre.

A França – sede de marcas como Renault, Peugeot e Citroën – é quem mais se beneficiou do aumento das compras brasileiras em termos percentuais no semestre. Como o país havia comprado apenas 39 veículos franceses no primeiro semestre do ano passado, houve aumento de 8.353% no desembarque de carros franceses no Brasil, para 3.297 veículos.

Em seguida, aparece a Suécia (sede da Volvo Cars), com 760% de avanço – para 1.746 unidades. Em terceiro lugar, o Uruguai – com 432% de avanço, para 1.023 unidades.

Antonio Megale, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), afirma que o fim do Inovar-Auto é o grande responsável pelo aumento dos números de importação – mas diz que o crescimento não deve ser visto com « preocupação ».

Os importados representam a menor parte do mercado brasileiro, mas o aumento na importação já eleva a fatia. De acordo com a Anfavea, 23% dos carros vendidos no Brasil eram importados em 2011 antes do Inovar-Auto e, no ano passado, o patamar havia recuado para 10%. A previsão da Anfavea é que retorne, ao fim deste ano, a 15%. A entidade diz que os números estão dentro do « normal » esperada pela indústria. « Embora tenha aumentado, não é preocupante. Está dentro da normalidade considerando que as marcas precisam complementar sua produção », afirma.

O aumento na importação ocorre mesmo enquanto a ociosidade da indústria automotiva nacional está em aproximadamente 40%, segundo Megale. « Hoje há uma capacidade instalada grande no Brasil », diz. Segundo ele, mesmo que ao menos nove fábricas tenham sido instaladas no país durante o Inovar-Auto, em muitos casos elas não são preparadas para produzir todos os veículos de uma marca.

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